Missão em tempos de pandemia: se reinventando para manter a chama acesa

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Membros do Departamento Missionário do Conselho Nacional do Brasil

Manter a chama do amor acesa e o ânimo dos confrades e consócias em dia para que a pandemia não afete o trabalho dos Vicentinos junto aos Pobres. Esse tem sido um desafio constante dos Departamentos Missionários da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP).

Mas se engana quem pensa que a falta de contato, provocada pela pandemia, tem afastado os confrades e consócias. Segundo a coordenadora do Departamento, a consócia Maria Margarete Santos, conhecida carinhosamente como Margô, o período da pandemia e do isolamento tem sido desafiador, mas é preciso olhar o lado bom. “A pandemia nos possibilitou olhar para dentro, olhar a instituição com outros olhos. Esse tempo de isolamento social podemos usar para organizar, avaliar e programar para em seguida realizar, tanto em nossas vidas particulares, como também nossas atividades vicentinas. A falta da presença física pode acarretar em desestímulo, mas estamos nos reinventado e buscando novas formas de cuidar uns dos outros e de agregar mais pessoas”, conta.

A Internet tem sido uma grande aliada das Missões neste período. Conversas on line, reuniões, lives, mensagens por aplicativos estão sendo essenciais para essa aproximação entre os vicentinos e na busca por novos membros. “Não temos ido ao encontro do outro, mas não paramos de trabalhar. Descobrimos novos meios de contato. Mesmo à distância só aumentou o olhar de cuidado”, explica.

Como disse São Vicente de Paulo, “o amor é inventivo ao infinito”. Essa frase tem se tornado realidade diariamente nas Missões. Um exemplo pode ser dado pela coordenadora do Departamento Missionário de Maringá, consócia Renata Santos.“Como não estamos podendo fazer as Missões e encontros presencialmente, estamos há alguns meses fazendo as lives. E neste mês, vamos fazer essa, com o objetivo de apresentar a SSVP para convidados e engajar novos membros. Também teremos uma meditação guiada antes das apresentações” conta.

Outro exemplo dado pela coordenadora de Maringá foi a rede de telefonemas feita entre confrades e consócias para garantirem entre si o afeto, a qualidade de vida, a preocupação como outro. “Eles se ligam, conversam, mandam mensagens. Isso não supre a falta do encontro presencial, mas ameniza a saudade e mantem a chama de trabalho acesa.”

O Conselho Central de Santo Antônio de Juiz de Fora também inovou ao mimar 30  confrades e consócias idosos com pães preparados e levados pessoalmente para eles, com os devidos cuidados necessários.

Dessa nova realidade, os Vicentinos já extraíram novas ações, como:

1)  Projeto “Vicentino Liga pra Mim”: um grupo de confrades/consócias é escolhido desenvolver um trabalho para entrar em contato com os vicentinos de sua área por meio de ligações telefônicas e, a partir daí, fazer um trabalho de acolhimento, de motivação e até de espiritualidade.

2. Projeto “Bateu Saudade de Você”: os vicentinos são convidados a postarem nas redes sociais de seu Conselho fotos atuais deles nesse momento, para que todos possam matar a saudade que estamos sentindo de nos encontrarmos;

3. Projeto “Nunca fui capaz de viver sem amigos”: um grupo de vicentinos passa a visitar os outros confrades e consócias de sua área; sendo as visitas sempre na frente da casa da pessoa, para dizer que lembramos dela, sentimos sua falta, além de conversar um pouco, podermos rezar juntos naquele momento e até levar alguma pequena lembrança.

4. Gincana Vicentina de perguntas e respostas por meio da Internet e/ou telefone. Nesta gincana, os vicentinos de uma área são divididos em equipes e os membros das equipes receberão perguntas sobre a SSVP ou outros assuntos. Ganha a equipe que responder mais perguntas certas durante o período da Gincana. A equipe vencedora também receberia uma premiação.

5. Conferências reunidas em oração: as conferências de uma área, mesmo sem se reunir presencialmente, estariam juntas em oração. Os membros das conferências são convidados a rezar o Santo Terço, todos em suas próprias casas, no mesmo dia e horário de suas reuniões. Cada um em sua própria casa oferece o Terço à sua própria conferência e, a cada semana, à uma outra conferência diferente. O objetivo seria manter nossa espiritualidade e o sentimento de grupo vivo e forte em nossas conferências. A imagem de São Vicente de Paulo estaria presente, a cada semana, em uma casa diferente na área de um Conselho Particular.

6. Através de ligações telefônica, por meio de um bate papo sutil e amigável, fazer um mapeamento (levantamento ou identificação) de possíveis casos de vicentinos que tenham sido atingidos pela Pandemia, economicamente desestabilizando suas vidas; a fim de criar ações de apoio solidário e acolhimento fraterno a estas famílias durante este período;

7. Também por meio de contatos telefônicos, de maneira sutil e amigável, procurar identificar possíveis casos de vicentinos que estejam precisando de apoio emocional em virtude da situação de isolamento social e outras consequências da Pandemia. Buscar apoio do assessor espiritual do Conselho e/ou da “Rede de Afeto”.

8. Envolver as crianças das conferências das CCA’s em ações de solidariedade sem exposição de risco a elas. Poderia ser solicitado que estas fizessem cartinhas e/ou desenhos para serem entregues à idosos nos Asilos, aos funcionários destas OU ou até mesmo à confrades/consócias que tenham contraído o COVID-19, ou que tenham parentes nesta condição, ou ainda que estejam precisando de apoio emocional nesse momento.

Dar amor, carinho e atenção na época da pandemia é possível e essencial e os vicentinos já se moldaram à esta nova realidade.

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