Sexta-feira Santa reflete sacrifício do Jesus e o amor pelo homem

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“No mais alto do Calvário, morreu nosso bom Jesus, dando o último suspiro nos braços da Santa Cruz!”. Sexta-feira Santa, segundo dia do Tríduo Pascal: o Deus feito homem, que passou entre nós fazendo o bem, falando com sabedoria, ensinando e agindo com amor, acabou morrendo violentamente no alto de uma cruz. 

Jesus assumiu livremente a morte e deu sua vida para o perdão de nossos pecados e nossa salvação. Sim, ele não buscou a morte, aceitou-a como consequência de sua entrega ao projeto do Reino de Deus. Condenado político e religioso e recebendo a dura pena de morte reservada aos criminosos, Jesus foi assassinado porque viveu e ensinou um novo modelo de vida, onde as pessoas são chamadas a viver como filhas de Deus, irmãs umas das outras e construtoras responsáveis de um mundo justo e fraterno. Sua morte foi consequência de sua prática: colocou-se ao lado dos pobres; opôs-se à lei judaica, por ser desumanizadora; criticou a religião, devido à hipocrisia; e censurou o templo, que não estava voltado para a realização da justiça e do amor. 

A morte de Jesus, livremente assumida, é negação profética de toda forma de vida contrária à vontade de Deus. Como prova extrema de amor, na cruz, Jesus nos dá a máxima lição para uma vida feliz e autêntica na graça de Deus. A morte de Cristo denuncia quão graves são os nossos pecados, mas também e, sobretudo, anuncia que o amor de Deus é maior que todos os nossos pecados juntos. Com seu sacrifício, Jesus denuncia toda maldade humana, toda violência e ódio, toda escravidão, toda divisão e desarmonia entre as pessoas e com a natureza. 

Em Jesus, Deus assume as nossas misérias e fragilidades, salva-nos da escravidão do pecado e concede-nos a vida plena de amor. Solidário com as pessoas em suas dores, fragilidades e pecados, Jesus se põe ao lado dos crucificados, assume suas cruzes, dores e pecados. Ele nos educa, nos liberta e tudo transforma no seu amor. Na cruz, Cristo nos ensina a buscar a vida nova, na sua integralidade como irmãos entre nós, como Filhos de Deus misericordioso e como responsáveis construtores do mundo, a nossa casa comum. Cristo ensina a superar o pecado, a preservar a vida em todos os seus aspectos, a formar consciências no bem e no amor, a transformar relações e a construir uma vida de encontro, de diálogo fraterno e de solidariedade.

A Sexta-feira Santa não é dia de culto à morte, mas dia de celebrar a esperança e a certeza da vitória. Fazendo memória da morte salvadora de Cristo, a Igreja reza a Paixão, adora a Cruz e eleva sua Oração nas grandes intenções da humanidade. É dia para louvar e agradecer a Deus que, em Cristo, na cruz, derrama sobre nós sua amorosa misericórdia. Deus não é vingativo, ele responde à nossa infidelidade com humildade, amor, perdão, encontro, vida, esperança, enfim, vitória da vida sobre a morte. Em Jesus crucificado, Deus a todos abraça com seu perdão e misericórdia, transforma a cruz, de instrumento de suplício e maldição, em trono da graça divina. A cruz deixa de ser motivo de fracasso e desespero, torna-se a nascente de todas as esperanças, sobretudo da esperança de que tudo seja lavado no sangue do Cordeiro de Deus imolado na cruz.

Nestes nossos tempos tão difíceis de crise econômica, com fome, desemprego, desigualdade social, pandemia, guerras, tensões e projetos políticos e econômicos que levam à morte, violência e polarizações, o autêntico sentido da morte de Jesus nos ajude a bem celebrar a Sexta-feira Santa e a fortalecer-nos:

  • Na contemplação, oração e renovação da adesão a Jesus Mestre e Senhor: Deus é conosco, solidário com nossas dores, libertador de todo mal e pecado. Na total solidariedade de Cristo com todo o nosso sofrimento, assumimos nossas cruzes, com viva fé e esperança, na certeza de que nada nos separará do amor de Cristo, rezamos nossas vidas, com suas angústias, sofrimentos e esperanças, gritando a Deus:  “Levantai-vos, Senhor, vinde logo em nosso auxílio, libertai-nos pela vossa compaixão!” Nos passos de Jesus e com os olhos fixos nele, queremos viver e anunciar com alegria e convicção a Boa Nova do Reino e, na luz dos ensinamentos de Jesus, assumir e transformar nossas dores e cruzes, promovendo vida digna para todos e não sucumbindo à morte, à dor e ao pecado;
  • Na contínua busca de conversão pessoal e comunitária: em Cristo, cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, Deus chama a uma vida nova. A Jesus que veio para dar a vida, muitas vezes, lhe damos a morte. É preciso buscar o perdão, porque em muitas situações, deixamo-nos levar pelas ideologias do ódio, pelas seduções egoístas do poder, do dinheiro e do sexo, por uma prática religiosa acomodada e individualista, pelas tentações do desânimo e da falta de comprometimento com o bem e as causas em favor dos pobres e da justiça. Igreja santa e pecadora, precisamos continuamente nos converter a partir do Evangelho, e viver mais conforme ao projeto do Reino, deixando-nos educar pela misericórdia de Cristo Mestre e Senhor!
  • No renovado esforço de viver melhor o compromisso social cristão: a paixão de Jesus ensina a colocar-nos na escola de Cristo, junto aos pobres e sofredores e renovar o compromisso de abrir-nos à graça de Deus, para aniquilar a maldade, a violência, a corrupção, a injustiça e tudo o que impede de fazer brotar em nós a bondade de Deus, testemunhada por Cristo. É tempo de assumir mais o compromisso de promover e defender a vida, de trabalhar para tirar da cruz os pobres hoje cruelmente crucificados pela fome, pelo desemprego, pela falta de moradia e tantas outras situações desumanas e injustas. É tempo de educar-nos contra as Fake News, as ideologias do ódio, os falsos discursos religiosos que encobrem interesses egoístas,  o desrespeito ao meio ambiente… 

Em Cristo totalmente doado até a morte de cruz, é hora de trabalhar e desenvolver mais a consciência cidadã, promovendo e apoiando ações transformadoras, em vista de uma educação integral, da inclusão de todos os seres humanos como sujeitos na construção da civilização do amor, da promoção da cultura do diálogo, da globalização da esperança, e que todos cresçam em autêntica humanidade, como irmãos e filhos de Deus.

Celebrando o mistério da morte salvadora de Jesus, acolhamos o Crucificado, como luz, força e caminho de conversão, justiça e esperança. Nele, o caminho que nos convida a morrer para o pecado, a manter a fidelidade ao projeto do Pai, a transformar nossas vidas e a sociedade no amor e na justiça. Este é o caminho da salvação, o caminho da morte redentora de Jesus, que leva à Ressurreição e faz irromper em nós e no mundo a vida nova no amor, agora e após a morte, na eternidade. “Bendita e louvada seja a Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo!”

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