O pai vicentino…

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Hoje é Dia dos Pais. Um domingo para celebrarmos com aquele que nos deu a vida e nos ensina diariamente ou para nos lembrarmos dele, no caso dos que já partiram. Um dos pais mais afetuosos e citados na Bíblia é São José. Ainda noivo de Maria, ele descobriu que ela estava grávida e após um sonho com um anjo que lhe disse que Maria ficou grávida pela ação do Espírito Santo, e que o menino que iria nascer era Filho de Deus,  ele aceitou Maria como esposa. Aí José já era “pai” de Jesus. 

São José teve papel importantíssimo na formação da personalidade de Jesus enquanto pessoa humana. A história mostra que Jesus foi um menino e um homem que teve um pai presente, piedoso e influente. Um pai que ensinou ao filho o caminho da justiça, da verdade, do amor e do conhecimento da Palavra de Deus. 

E como São José, são vários os pais vicentinos pelo país: dedicados, ensinando através do amor, da verdade e da fé. Neste Dia dos Pais contamos a história de dois deles, que percorreram caminhos diferentes, mas sempre seguindo os passos de São Vicente e Ozanam para dar eEducação e amor aos filhos.

O confrade Valdivino Ferreira da Silva, 63 anos, presidente do Conselho Metropolitano de Governador Valadares/MG é o primeiro vicentino da família. Já adulto, casado e pai de quatro filhos, foi convidado a conhecer a Conferência Nossa Senhora da Piedade, na cidade de Governador Valadares e lá está até hoje, participando ativamente. 

Vavá, a esposa Dalva e o neto Rhuan

Depois de muitos anos na Conferência, ele descobriu que sua família já tinha sido assistida pelos vicentinos, em um momento de necessidade. “Meu pai era deficiente físico e a família precisava de ajuda. Eram quatro filhos. Lembro de ir com dois senhores – hoje sei que eram confrades – comprar tábuas para construir  nossa casa. Eu era pequeno, devia ter oito anos”, conta. Apesar das dificuldades, Vavá, como é carinhosamente chamado, lembra que seu lar era cheio de amor e que com seu pai aprendeu o respeito.  

O vicentino conheceu a SSVP há mais de 20 anos, quando já era casado com Dalva e já tinha os quatro filhos: Marcelo, Vaner, Marieli e Vaniely. “A vivência na SSVP, com os confrades, mudou a minha relação com meus filhos, a maneira de educá-los e de interagir com eles. A gente aprende muito com as visitas e isso muda nosso modo de ser. Mudou o convívio, fiquei mais próximo. Antes dos vicentinos, eu era menos família, passava menos tempo com eles, mais tempo na rua. A minha vivência na Conferência, vendo o problema dos assistidos, vi que não tinha problemas, que não podia reclamar. Eu não era um pai bravo, mas sim, um pai rígido, meus filhos me entendiam só no olhar e no respeito, que aprendi com meu pai. Mas o aconchego com eles só aumentou depois de eu me tornar vicentino”, revela. 

O tempo passou e os filhos cresceram. “Eles estiveram na minha Proclamação, mas cada um seguiu sua vida. Os ensinamentos que tive SSVP estão neles. Os quatro estão bem criados e bem encaminhados na vida”, lembra. 

Agora, desde o início deste ano, Vavá e a esposa Dalva estão cuidando do neto, Rhuan, de sete anos. A mãe mudou de estado e Ruan está com os avós, que, segundo Vavá, são pais em dobro. “O Rhuan não tem quase contato com o pai, então, sou a figura masculina que ele tem como referência. É uma responsabilidade em dobro. Ele é meu xodó, vai comigo nas reuniões da Conferência e adora participar. Ele já foi comigo duas vezes na Romaria e adora fazer a coleta e cantar. Na hora que começa a cantar o Hino de Ozanam, ele pega a sacola da coleta e vai. Sou um avô babão. Ele está aprendendo e indo no caminho certo”, relata emocionado.

Os olhos do “avô babão” brilham ao falar de Rhuan e de como mudou na relação com os filhos. Hoje, ele repete com o neto a receita de amor, de caridade e de doação com a qual educou os filhos. “Foram os princípios que aprendi com meu pai e que aprendi na SSVP, depois de adulto, que me fizeram o pai que sou: regrado, mas mais afetuoso e preocupado com a família”, finaliza.

Enquanto Vavá vê no neto Rhuan a continuidade do seu trabalho na SSVP, também mineiro Cristian Reis da Luz, 41 anos, vê essa possibilidade nos dois filhos, Henrique, de nove anos, e Helena Cecília, de quatro anos. 

Cristian, a esposa Lorraine, e os filhos Henrique e Helena

Cristian, vicentino há 32 anos, foi levado à Conferência por seu avô, aos oito anos, logo depois de fazer a Primeira Comunhão. De lá para cá, não só persistiu no caminho vicentino, como fez questão de apresentar a SSVP aos filhos ainda bem pequenos. Henrique já era nascido quando Cristian foi eleito presidente do Conselho Nacional do Brasil (CNB), em 2017. Sua esposa, Lorraine, estava prestes a dar à luz a Helena, quando ele tomou posse. “Quando eu dei meu nome para participar da eleição, a Lorraine descobriu que estava grávida da Helena. Muitas pessoas achavam que eu ia desistir, mas pensei: se for da vontade de Deus, que seja! E foi. Foi uma decisão difícil conciliar a tarefa de pai, no meio da gestação da Helena, com a eleição e os desafios da presidência do CNB. A minha posse foi em 3 de setembro de 2017 e Lorraine não pode estar. Vinte dias depois, nasceu a Helena” lembra.

Durante a presidência do CNB, Cristian conciliou a tarefa de pai e de vicentino com maestria. Inclusive, as duas atividades se complementam. As crianças estiveram com eles em momentos importantes enquanto presidente e os ensinamentos vicentinos fazem parte do cotidiano dos pequenos. “A minha formação vicentina me tornou mais humano. Essa vivência nos faz entender mais o outro, traz mais compreensão do outro, em vários sentidos isso. Para a vida profissional, estudantil e familiar, a SSVP só tem a acrescentar”, explica. 

Neste ano, Henrique e Helena passaram a acompanhar semanalmente o pai nas reuniões da Conferência São Fidelis, em Belo Horizonte. “Toda segunda-feira, eu pego eles na escola, preparamos um lanche para eles comerem e vamos à Conferência. É uma alegria imensa ver esse início de formação. Ver eles falando ‘Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!’ Às vezes no caso da Helena, que é muito pequena, até trocam as palavras. Eles adoram. E vemos a felicidade de todos da Conferência de ver as crianças ali participando”, conta.

Sobre a educação propriamente dita, Cristian sabe que os ensinamentos aprendidos com os vicentinos são essenciais na formação dos filhos. “Eu espero que tenham essa formação humana, de olhar para o outro, de ver o mundo diferente, de ter contato com a realidade não só que eles vivem, mas também do Pobre. De ver que está faltando algo para uma criança e falar ‘isso aqui eu posso doar’. Eles já têm ações assim e é tão bonitinho”, avalia. 

A participação dos pequenos é de maneira para lá de espontânea. “Quando tem tesouro espiritual, a Helena e o Henrique levantam o dedinho e dizem que foram visitar os enfermos. Nesse primeiro momento, eles visitam familiares que vão às vezes para o hospital. Mas eles já entendem o princípio. São elementos muito importantes para a vida cristã e humana deles”, define.

A alegria de Helena e Henrique de participarem da Conferência fica nítida quando são perguntados sobre o que gostam de fazer. Responder uma simples chamada para os pequenos é motivo de festa e orgulho. Cristian, conta que Helena até treinava para responder o “Viva Jesus, Maria e José” após ser chamada. Hoje, ela fala com desenvoltura a reposta, bem como a saudação vicentina. 

“Eu gosto de passar a sacolinha (coleta) e coloco também dinheiro que o papai dá. E gosto de pegar as fichinhas e escrever meu nome todo na Ata”, conta uma serelepe Helena ao telefone. O pai explica, todo orgulhoso, que pegar a fichinha é um costume da Conferência: colocamos fichas de duas cores em uma sacolinha e definimos qual cor é para rezar e qual cor é para a pessoa que vai receber a oração. As pessoas, então, retiram a ficha da sacola e descobrem se irão fazer ou receber a oração durante a semana. 

Henrique também é uma criança atenta. “No ano passado, ele ainda nem frequentava a Conferência e na escola a professora estava falando de São Vicente, uma cidade litorânea de São Paulo. Ele interrompe a aula e diz ‘Sabia que meu pai é presidente?’, associando à Sociedade de São Vicente de Paulo”, conta o pai todo orgulhoso em tom de brincadeira. 

As crianças adoram rezar, enquanto Henrique gosta mais da Oração de Canonização de Frederico Ozanam, a pequena Helena gosta das orações finais, em intenção de todas as pessoas. “Como pai é uma alegria que não tem tamanho ver eles na Conferência e ainda tem meu sobrinho, Davi, que é meu afilhado, que também está lá”, finaliza.

Helena e Henrique já assinam a Ata das reuniões da Conferência junto ao pai
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