Dia do Idoso: porque para fazer a caridade não tem idade!

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Hoje comemoramos o Dia Nacional do Idoso. Pela Organização Mundial da Saúde (OMS), são classificadas como idosos as pessoas com mais de 65 anos em países desenvolvidos e com mais de 60 anos nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Para marcar a data, vamos contar a história de dois confrades idosos, que ao contrário de muitos da mesma idade, comprovam que envelhecer não significa fechar os olhos para quem precisa e muito menos deixar de ajudar os Pobres.

Quem ouve a voz trêmula de seu Custódio Ricardo Pereira, de 96 anos, pode facilmente se acreditar se tratar de um idoso frágil, que fica em casa, assistindo televisão ou fazendo atividades mais calmas dada a sua idade. Ledo engano! Esse confrade dá um show quando se trata de fazer a caridade. No dia mesmo de conversar com a nossa reportagem, foi difícil achá-lo em casa: tinha saído em visita e estava com o tempo contado para ir na reunião semanal da sua Conferência, a São Simão, em Ipatinga, Minas Gerais. Atencioso e extremamente simpático, começa a conversa com a saudação característica vicentina “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”, e segue contando sua vida na Sociedade. “Eu faço sim caridade até hoje, participo da minha Conferência, mas visito todas da cidade. Me sinto muito feliz quando estou participando, fazendo os trabalhos vicentinos com os Pobres. Já fui presidente de Conferência umas seis vezes. A gente tem que participar mesmo, não pode ser vicentino só para ter o nome no livro. Se só quer o nome no livro, melhor não estar lá”, fala.

Sobre sua idade, ele faz até um pouco de graça, ao ser perguntado se ela muda algo. “Idade não importa. Quem dá força é Deus. Ele que nos leva e nos traz das visitas. Tenho saúde, vou de carro, vou a pé. Eu gosto mesmo é de participar da Santa Missa e da comunidade vicentina para cuidar dos Pobres. Entrei na SSVP aos 20 anos como vice-presidente da Conferência Antonio Frederico Ozanam, participei da sua fundação. Hoje, tudo mudou muito, até a Sociedade. Mas temos que seguir a fazer o que Deus ama. Se você não faz, é porque não quer”, ensina o sábio confrade.

Viúvo, pai de nove filhos, sendo dois já falecidos, com 17 netos e oito bisnetos, seu Custódio trabalhou na roça e depois mudou para a cidade, onde se aposentou como vigilante. Sobre o futuro, mais uma lição: “Só saio da Conferência quando Deus me tirar”, finaliza.

Seu Custódio: “Só saio da Conferência quando Deus me tirar”

Um amor de 44 anos

O confrade José Augusto Teixera, de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, aos 70 anos, acorda todos os dias às 4h30 para caminhar. Ativo, o inspetor metalúrgico aposentado, vê na idade uma chance de ensinar os mais novos e de perpetuar o trabalho da SSVP. Vicentino desde 1974, entrou para a Sociedade por intermédio do sogro Rômulo e da esposa Aparecida. “Meu sogro passou o encantamento pela SSVP. Entrei jovem na Sociedade, na Conferência São Pio XII, passei pela Santa Rita de Cássia, fui presidente da Conferência Santa Edwirges, que frequento até hoje. Fui tesoureiro do Conselho Particular Nossa Senhora Aparecida e hoje sou tesoureiro do Conselho Metropolitano de Volta Redonda. Teve uma época, que por causa dos plantões do meu trabalho, me afastei da Conferência, mas retornei em 2000 e amo a SSVP. Brinco que desde de voltei, estou correndo atrás do tempo perdido no meu afastamento”, conta.

Ele lembra da época em ia de ônibus ou a pé levar as cestas aos assistidos. “Tinha dia que andávamos a pé distribuindo as cestas, pegávamos o ônibus e completávamos o caminho andando. Hojé é mais fácil, fazemos tudo de carro”, compara.

O amor pela SSVP é tão grande, que ele aguarda ansioso às reuniões da Conferência, todas as quartas às 19 horas. “O dia de reunião é muito especial. Fico ansioso esperando o dia e também as visitas. Trabalho também na ajuda de captação de recursos para a Conferência. Uma vez por mês fazemos pizza para vender como forma de arrecadar e eu abro a massa toda vez. Fiz 44 anos de casado e 44 anos de vicentino. Para mim, ser vicentino é um dom. É uma graça servir o próximo e reconhecer no Pobre a imagem de Jesus. É preciso ter um carinho muito grande, a vocação e muita confiança para desenvolver esse trabalho”, explica.

A idade não é um problema para Zé, como é carinhosamente chamado. “Esse ano eu vou pela sétima vez na Caminhada da Fé. Saímos de Volta Redonda no dia 08 de outubro e chegamos em Aparecida, em São Paulo, no dia 12. Vamos caminhando durante todos esses dias. A idade não pode ser um peso na vida nem na SSVP. Acho lindo ver os nossos jovens vicentinos. A gente vai ficando velho, não tem mais o mesmo pique, mas temos a obrigação de seguir e passar o nosso conhecimento para a juventude. A gente não pode ter medo de assumir os encargos, seja na idade que for. Eu, por exemplo, nunca tinha sido tesoureiro, mas o Espírito Santo me iluminou. A gente nunca está sozinho também, somos uma rede de amigos”, fala.

Zé, além do exemplo de vida, ainda deixa uma “lição”: “Se o Espírito Santo te iluminou, você tem que assumir os encargos de coração e com coragem, não importa a idade, até para poder orientar os mais novos, aqueles que vão dar sequência na existência da SSVP”, finaliza o aposentado, pai de três filhos e avô de quatro netos.

Seu Zé e a esposa Aparecida: um amor de 44 anos
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