Viver o Natal do Senhor

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Por Padre Emanoel Bedê

É Natal novamente, por isso, mais uma vez, somos todos convidados a nos preparar para receber o Senhor em nossas vidas, em nossas famílias, em nosso dia, em nossas agendas, enfim, em tudo que envolve o viver e o existir. Por isso, queridos e amados Vicentinos, confrades e consócias, desejo convidá-los para fazer desse tempo, tão breve, nem por isso, menos intenso, um tempo de oportunidades para nos reunir, em Família Vicentina, e nos preparar para acolher o Deus menino. Arrume um tempo para fazer sua novena de natal, seu círculo bíblico, rezar seu rosário, enfim, porque o tempo de Deus chegou e Ele deseja entrar em nosso mundo e precisa de um lugar para morar, de uma manjedoura para nascer. Sejamos nós, você, eu e outro, a acolhê-lo primeiro, porque “primeiro Ele nos amou” e por amor nos enviou seu Filho para nos salvar.

Para falar ao coração humano Deus veio a este mundo como criança, de riso fácil, de ternura amorosa, revestido de nossas fragilidades humanas para que pudéssemos nos reconhecer Nele, pois “Ele é o Deus que faltava, a eterna criança”. No entanto, há o perigo de celebrar esta verdade como se fosse uma mentira e fazer do menino Jesus apenas um enfeite de presépio que ornamenta sala de casa e a paisagem da festa social, onde os verdadeiros e autênticos sentimentos natalinos não estão presentes, porque esse tipo de natal tonou-se a festa da sociedade de consumo, do esbanjamento; festa dos presentes e das decorações luminosas, do décimo terceiro salário, dos espumantes chiques e panetones; festa de um cristianismo adocicado e cômodo, bem diferente do Jesus apresentado pela espiritualidade vicentina.

Natal é a celebração da encarnação de Deus em Jesus, cujo nome significa “Deus salva”, isto é, o eterno Filho de Deus, feito homem, é a mensagem conclusiva de Deus aos homens: ele é aquele que salva, o menino que nasceu para nós, Deus quem vem nos salvar; é o divino que se torna humano para o humano tonar-se divino. Por isso, o nascimento histórico de Jesus em Belém é o sinal de nosso misterioso nascimento à vida divina. O Filho de Deus se fez homem para que os homens se pudessem tornar filhos de Deus. O tempo natalino nos lembra que o amor com que Deus Pai amou o mundo – e esse amor foi tanto a ponto de nos enviar seu próprio Filho para salvá-lo – manifesta-se e se reflete no amor que deve reinar em toda família cristã.

O ano de 2022 foi um ano de retomada de muitas atividades da SSVP: plenárias, encontros regionais, romaria… e é importante celebrarmos esse momento. Vamos, pois, juntamente com nossos sonhos e famílias, nossas vidas e projetos, a exemplo dos reis magos, apresentar ao Menino Jesus nossos mais humildes presentes: a visita ao Pobre, a alegria do encontro na conferência que voltou a se reunir, a criação de mais uma conferência, a alegria de poder oferecer uma “quentinha” ao irmão que mora na rua que é mais pobre do que nós, o banho solidário, o abraço caloroso, a alegria de servir… quando isso tudo acontecer teremos a certeza de que é Natal e que Deus está no meio de nós, como um de nós, porque ele é o Deus conosco! Se você, meu irmão e minha irmã, ainda não sabe como celebrar o Natal, faça-o do lado dos mais Pobres e humildes, pois foi a eles que a estrela brilhou primeiro e por isso eles foram os primeiros a acolher Deus dentro de sua vida. Santo Agostinho nos ajuda a entender essa bela e encantadora verdade: “Desperta, ó homem: por tua causa Deus se fez homem. Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá (Ef 5,14). Por tua causa, repito, Deus se fez homem. Estarias morto para sempre, se ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te libertarias da carne do pecado, se ele não tivesse assumido uma carne semelhante à do pecado. Estarias condenado a uma eterna miséria, se não fosse a sua misericórdia. Não voltarias à vida, se ele não tivesse vindo ao encontro da tua morte. Terias perecido, se ele não viesse salvar-te”.

Dito isto, convido a todos a louvar ao Senhor, durante o tempo do Natal, em sua conferência ou comunidade, repetindo cantando com a Igreja este belo hino da tradição cristã: “Lembrai, autor da vida/ nascido de Maria/ que nossa forma humana/ tomastes, neste dia./ Autor feliz deste mundo,/ tomou um corpo mortal./ A nossa carne assumindo,/ livrou a carne do mal./ O casto seio da Virgem/ se faz o templo de Deus./ Gerou sem homem um Filho,/ o Autor da terra e dos céus./ A glória deste dia/ atesta um fato novo, que vós, do pai descendo,/ salvastes vosso povo./ E nós, por vosso sangue,/ remidos como povo,/ vos celebramos hoje,/ cantando um canto novo”. (Hino de vésperas e de laudes do Natal do Senhor – Liturgia das Horas).

Feliz e abençoado Natal a todos!

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