Protagonismo feminino é incentivado dentro da SSVP Brasil

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O Planeta Terra chegou aos 8 milhões de habitantes. No Brasil, são 215.610.414, sendo desses, 109.838.053 mulheres. Segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse número representa 51,8% da população do país. 

Apesar da população volumosa de mulheres, a representatividade feminina dentro de cargos de poder e decisão ainda é baixo. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base nos dados das Eleições de 2022, apenas 302 mulheres foram eleitas para a Câmara dos Deputados, o Senado, a Assembleias Legislativas e governos estaduais. Em comparação a esse número, 1.346 homens foram eleitos para os mesmos cargos. 

Apesar do aumento da representatividade feminina dentro desses espaços, a desigualdade ainda é muito evidente. Dentro da SSVP Brasil, são, aproximadamente, 53 mil consócias, entre elas oito representam os Conselhos Metropolitanos das suas regiões: Marcia Cristina de Souza Heleno (CM Barbacena/MG), Luiza Nayara Mendes Costa (CM Belém/PA), Venina Aparecida de Souza (CM Juiz de Fora/MG), Dalvina Ribeiro Miranda (CM Montes Claros/MG), Roselange dos Santos Galdino (CM Pouso Alegre/MG), Priscila Rosa de Freitas Santos (CM São Carlos/SP), Inês Regina Vieira (CM São Paulo/MG) e Jaqueline Moreira Crisostimo Perino (CM Volta Redonda/RJ); além das consócias que fazem parte do quadrante da Diretoria.

A reportagem da SSVP Brasil conversou com duas representantes de CM’s para falar sobre a importância do protagonismo feminino dentro dos Conselhos Metropolitanos e você pode conferir aqui um pouco sobre a trajetória dessas mulheres vicentinas. 

Desafios e barreiras da mulher na sociedade

Na foto, da esquerda para a direita: consócia Luciana Moreira (Vice-Presidente do CNB para a Região 4), consócia Mirlene Cristina Reis (Coordenadora do Departamento Missionário do Conselho Nacional do Brasil para a Região 4), confrade Renan Contrera de Paiva (Membro da equipe do Decom do Conselho Nacional do Brasil), confrade Felipe Otávio da Silva Bertoldo (2º Tesoureiro do Conselho Metropolitano de Pouso Alegre e membro da equipe do Departamento Missionário do Conselho Metropolitano de Pouso Alegre), consócia Roselange dos Santos Galdino (Presidente do Conselho Metropolitano de Pouso Alegre) e a consócia Márcia de Souza Eduardo (Presidente do Conselho Central de Varginha)

A consócia Roselange dos Santos Galdino, Presidente do Conselho Metropolitano de Pouso Alegre/MG, conheceu a SSVP Brasil em 1983, quando cursava o ensino médio em Varginha/MG. “Certo dia, alguns jovens fizeram um trabalho de divulgação da SSVP, percorrendo e falando sobre o trabalho vicentino em cada sala de aula. Foi ali, que uma colega de sala me disse que também participava de uma Conferência e me convidou para conhecê-la”, relembra Roselange.

A consócia fala que na época, por ser jovem, era tímida e levou um tempo para se acostumar, mas com o tempo foi ganhando espaço e representatividade dentro da SSVP. “Desde a minha entrada, sempre tive uma atuação na vanguarda nos trabalhos vicentinos, buscando, em primeiro lugar, colocar a minha vocação vicentina em ação, testemunhando Jesus Cristo no amor e no serviços aos Pobres”, conta a Presidente do CM de Pouso Alegre.

Roselange comenta que até pouco tempo, a presença feminina dentro da SSVP Brasil era praticamente nula. “No meu entendimento, o protagonismo feminino começa a se fazer presença quando as mulheres saem do papel de coadjuvantes e assumem papel principal na construção da história da Sociedade Durante anos a presença das mulheres era questionada. Quando atuava na Comissão de Jovens, na minha juventude, fui convidada a me retirar da reunião de Conferência, pois a ousadia dos jovens e a presença feminina não eram respeitadas pelas lideranças da época”, relembra a consócia.

A Presidente do CM de Porto Alegre alega que muitas vezes o esforço feminino precisa ser redobrado para ter o mesmo reconhecimento que os homens. “Atualmente, na SSVP, existem muitas histórias de mulheres de sucesso nas quais busco coragem e inspiração para desenvolver o meu trabalho e levar adiante meu compromisso com o Evangelho e minha vocação vicentina”, reforça Roselange. 

A consócia apoia a criação de uma rede de apoio para incentivar mulheres com ideias inovadoras dentro da sociedade. “Além dos grandes desafios de uma sociedade sempre em transformação, o machismo preponderante, outro grande desafio é conciliar as duplas e triplas jornadas, em casa e no trabalho, transformando a rotina em algo suave, sem estresse, para cuidar da saúde mental e da qualidade de vida”, comenta Roselange.

A consócia tem grandes planos para a SSVP Brasil como Presidente do CM: “quero trabalhar para que a SSVP enalteça seus princípios fundamentais, que é imitar Jesus Cristo no serviço e no amor aos Pobres, tornar mais vivo o sonho de Ozanam, de ‘abraçar o mundo inteiro numa rede de caridade’”, finaliza a vicentina. 

Efetividade no trabalho da SSVP

A Presidente do Conselho Metropolitano de Volta Redonda/RJ, Jaqueline Moreira Crisóstomo Perino, chegou a diretoria do CM através de um grande amigo, o confrade Sidney Garçês. “Ele foi convidado para ser Vice-Presidente do Conselho e me convidou para fazer parte da equipe por várias vezes. Na época, eu era presidente da minha Conferência e, por motivos de trabalho, não conseguiria conciliar os três. Infelizmente, meu grande amigo veio a falecer e o Presidente que estava à frente do Conselho, confrade Nêgo, me pediu novamente para fazer parte da diretoria e, em memória do meu amigo, aceitei o convite e fiquei como Coordenadora da Ecafo”, relembra a consócia.

Anos depois, após a pandemia e as eleições, Jaqueline foi convidada a se candidatar novamente a Presidência do Conselho e deu certo. “Gostaria de ver a SSVP prosperar na minha área de atuação, com a criação de CCA’s e fortalecimento das Conferências com jovens, todos comprometidos com a espiritualidade vicentina, com trabalho da caridade, visando a perpetuação do trabalho vicentino de Promoção às famílias”, comenta a Presidente.

Jaqueline comenta que tem um sonho de levar os vicentinos da área para concretizar o desejo de Ozanam, de “unir todos numa Rede de Caridade”, espiritualidade fraterna, generosa, reconciliadora e organizada, atendendo o Estatuto Social, o Regulamento e normativas. “Um Conselho organizado administrativamente é a prova da responsabilidade e zelo com nossos Mestres e Senhores, nossos confrades e consócias, nossa Igreja, bem como com todos que confiam no trabalho vicentino, seja fazendo doações, prestando serviços ou não aos nossos Conselhos e Obras Unidas”, enfatiza a consócia. 

Ela relembra que conheceu a SSVP Brasil através do Encontro de Vicentinos com Cristo, que acontece anualmente no Conselho Central de Volta Redonda. “Após perceber uma grande mudança de vida e de atitudes com o meu marido durante esse encontro, decidi que queria para mim essa mudança. Fui convidada a vivenciar o encontro, me apaixonei pela espiritualidade e trabalho vicentino, então comecei a participar de uma Conferência, onde ainda estou incansavelmente a serviços dos nossos Mestres e Senhores, além da SSVP”, recorda a vicentina.

A consócia acredita que um dos maiores desafios da mulher dentro da sociedade em geral  é a quebra de pré-conceitos e desconstrução de alguns hábitos e atitudes que perpetua nos ciclos construídos, que não representam o carisma vicentino. “A fatídica frase ‘mas sempre fez assim’ é a prova de como é difícil reconstruir. É um grande desafio para o Conselho Metropolitano de Volta Redonda levar as formações, não só de forma compreensível, mas sim de mudança de postura. Acolher os jovens nas Conferências, acreditar que precisamos renovar, trazendo nossas crianças para participarem de um Conferência, acolhendo os assistidos junto aos Projetos Sociais, visando uma mudança e quebra do ciclo de pobreza. Precisamos entender que nosso trabalho é com os Pobres, para os Pobres. É preciso dar a cada família assistida a dignidade, o trabalho, a educação e a oportunidade de cuidar de sua própria família. É também desafiante trazer a organização hierárquica da SSVP bem como a compreensão de seu funcionamento administrativo”, explica Jaqueline.

Ela se espelha no exemplo da Irmã Rosalie Rendu, que orientou os jovens a agirem concretamente na Conferência de Caridade. Jaqueline acredita que a importância do protagonismo feminino está na sua mansidão, resiliência e altruísmo, que, com essas características, as mulheres são merecedoras de participarem das tomadas de decisão dentro da SSVP e contribuir para o crescimento da Sociedade. 

“Vivemos em um mundo machista, que se encontra enraizado historicamente nas pessoas, que agem em alguns momentos sem se darem conta que suas atitudes. O papel da mulher vem suavizando o trabalho vicentino, a representatividade feminina nos faz equalizar melhor o trabalho em nossas Unidades, trazendo mais humanização aos atendimentos às famílias, ajudando a perceber melhor o papel de tantas esposas, filhas e mães, de famílias assistidas por nossas unidades, papel primordial ao nosso trabalho. A participação e o trabalho da mulher na SSVP contribui para o crescimento da Sociedade. Em celebração a esse papel é tão importante, que no dia 14 de agosto é celebrado o Dia Internacional da Mulher na SSVP, data de celebração do aniversário de Amélie Ozanam. O dia  comemora e agradece a representatividade dela para a caminhada das mulheres dentro da SSVP”, finaliza Jaqueline. 

O confrade Renato Lima de Oliveira, 16º Presidente-geral Internacional, destaca a importância do Dia Internacional das Consócias: “Como muito bem disse a consócia Jaqueline, o dia 14 de agosto foi estabelecido pelo Conselho Geral Internacional, em 2020, como “Dia Internacional das Consócias”, para ser celebrado todos os anos, por justamente entender o relevante papel do elemento feminino na nossa Sociedade, e por valorizar toda a efetiva contribuição dada pelas consócias ao crescimento da SSVP, tanto no serviço junto às Conferências quanto junto aos pobres. Sinto-me feliz por termos criado essa data especial dentro do nosso mandato. Que o exemplo dada no Conselho Geral seja copiado em todos os países, como é feito no Brasil”, afirma.

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