Amor ao servir: a difícil decisão entre a SSVP e o diaconado

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A busca pela santidade, característica nata dos vicentinos, também pode ser vivenciada através de ministérios na Igreja. Muitos são os casos de vicentinos, que, com o passar do tempo, sentem o chamado de servir a Deus além da SSVP, assumindo a vocação diaconal, por exemplo. Neste caso, como prevê a Regra, a pessoa tem que deixar sua participação de vicentino. 

A SSVP é uma Organização católica de *LEIGOS*, desde sua fundação e até hoje. Portanto, embora plenamente aberta ao apoio e orientação espiritual dos ordenados (Bispos, Padres, Diáconos, religiosos etc), mas não é permitido a esses de serem proclamados ou de permanecerem como tais.

Na mesma linha, consequentemente, ficam impedidos de assumirem funções de direção, visto que não são leigos. A Regra é repleta de citações sobre essa situação. Porém, não tem um Artigo que diga que um ordenado ou religioso NÃO pode ser Confrade ou Consócia. É algo que está entendido pela lógica.

O Artigo 3° do Regulamento no Brasil é usado para dar essa definição, pois deixa de preencher o requisito de ser leigo visto que, a partir da profissão dos votos, passa a ser um ordenado, fazendo parte da hierarquia da  Igreja, deixando de ser leigo.

Esse foi o caso de Vitor Amorim, de 39 anos, de Governador Valadares/MG. Ele foi criado na Igreja Católica e era muito ativo. “Na adolescência, senti a vontade de ser padre. Cheguei a fazer dois anos de encontros vocacionais, mas antes de entrar no seminário estava namorando e desisti. Fiz faculdade de Direito, e estagiei na Advocacia Geral do Estado. O namoro acabou depois de uns cinco anos e fiquei sem saber o que fazer, meio perdido. Foi quando uma amiga do trabalho, Raquel Nunes, que era vicentina, começou a insistir para eu ir numa reunião da Conferência dela. Insistia muito e fiquei sem graça de não ir. Achei que seu eu fosse, ela pararia de insistir. Eu tinha 20 anos e não gostei, não entendi nada e achei tudo muito chato. A reunião era aos sábados e na segunda, ao me perguntar o que tinha achado, fiquei com vergonha de dizer que não tinha gostado, começou então, mais uma insistência para eu ir no sábado seguinte”, lembra Vitor.

Sem graça em recusar o convite da amiga, Vitor foi mais uma vez à reunião da Conferência Santa Clara. Mas dessa vez, foi muito diferente. “Fomos visitar uma família assistida e me encantei. Naquele momento, entendi minha vocação. Fiquei por um tempo na Conferência Santa Clara, onde fui proclamado . Nesse meio tempo, conheci minha esposa, a Jaqueline, que não era vicentina, mas passou a frequentar a Conferência. A Sociedade de São Vicente de Paulo foi marcante na minha vida, inclusive no meu casamento. Eu fui presidente de Conferência, Conselho Particular, tesoureiro, membro do Denor. Tempos depois, por uma questão de horário, mudamos para a Conferência São Tarcísio, onde fiquei até a minha ordenação. Tive um casal de gêmeos, o Bento e a Helena, que hoje têm 6 anos e se dizem vicentinos. Eles frequentam a Conferência com a minha esposa”, conta.

A decisão de se tornar diácono não foi fácil, por um lado, Vitor tinha o chamado vocacional da Igreja desde que era pequeno, por outro, não queria abrir mão da SSVP. “A inquietude da infância permanecia em mim, como uma fagulha acesa e recebi um convite de Dom Carlos Felix, bispo diocesado de Governador Valadares, em 2020, para discernir a vocação diaconal. Fiz a caminhada de discernimento, comecei os estudos, mas sempre existia uma dúvida porque teria que abandonar a SSVP. Saí apaixonado pela SSVP, pelo carisma vicentino, sempre estive muito presente e isso não facilitou a decisão. Mas quero exercer meu ministério diaconal dentro do carisma, pois isso é indissociável do meu ser, o que me dá um alento”, explica.

A despedida da Conferência São Tarcísio não  foi fácil . “Eu não estava esperando nada, mas quando cheguei lá e vi meus pais e a Raquel, que me levou para a SSVP, e percebi que algo importante aconteceria. Após nossa reunião, me levaram para a capela ao lado e lá tinham fotos de toda a minha trajetória na SSVP. Eles me pediram para falar sobre cada uma delas, o que não consegui direito, por causa da emoção. Foi um momento muito único”, recorda.

Vitor foi ordenado em 27 de abril deste ano e considera este um dos ritos mais bonitos da Igreja. “Foi emocionante e uma das coisas que mais me marcou foi a presença maciça dos vicentinos do Conselho Metropolitano de Governador Valadares. Eles me abraçaram, cantaram o Hino de Ozanam e, por eles, me senti abraçado por São Vicente e Ozanam”, se emociona. 

Hoje Vitor ainda está ligado profissionalmente à SSVP, pois é assessor Jurídico dos Conselhos Metropolitanos de Governador Valadares e Ouro Preto. Da sua missão como diácono, Vitor tem uma certeza e um sonho. “Vou continuar servindo a Deus e colocar meu ministério a serviço dos Pobres, tentar contribuir de uma maneira mais efetiva com a SSVP, principalmente com recrutamento, com formações. Continuo estudando, faço mestrado em Direito Canônico. O diaconado possui três dimensões e uma delas é a caridade, que considero a mais permanente. O diácono permanente, como diz nosso bispo, é para estar no meio do povo, servindo o povo. O meu desejo é fazer isso valer. Uma frase que resume tudo isso está em um documento da CNBB, ‘No culto o serviço encontra sua fonte; no serviço, o culto revela sua eficácia’”, conclui.

Despedida da Conferência, marcada por um caminho feito por fotos da trajetória de Vitor

Durante sua ordenação, com a família e o “abraço” vicentino

Primeira missa como diácono, no dia seguinte de sua ordenação

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